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Cosmogonia Científica-Mitológica

 


No princípio de todas as coisas, antes mesmo do tempo e do espaço, havia apenas a Singularidade Primordial, uma entidade de densidade infinita e infinita potência. Era um estado de absoluto potencial, um Ovo Cosmico intangível que continha em si todas as possibilidades. Os antigos chamavam esse momento de "A Era de Planck Quantum", um período tão efêmero que não podia ser medido por nada que os mortais compreendam.

Na vastidão da Singularidade, emergiu um impulso: uma expansão primordial que deu início à primeira grande batalha entre ordem e desordem. Com o primeiro instante da expansão, fragmentos de energia se converteram em entidades elementares, as Partículas Primordiais, filhos da Singularidade. Essas partículas se organizaram em três clãs distintos: os Leptões, os Quarks e os Bósons, que dançavam em torno uns dos outros numa coreografia caótica e sublime.

Dessas partículas, nasceu a Gravidade, a mais antiga e poderosa das forças. Ela assumiu a forma de uma divindade imponente, que os antigos chamavam de Graviton, o Guardião do Equilíbrio. Graviton estendeu seus domínios e deu forma ao Espaço e ao Tempo, moldando os alicerces do universo.

Mas com a ordem veio o Caos, um oponente feroz e incansável. O Caos, conhecido como Entropis, era a personificação da desordem, determinado a dissolver todas as estruturas que Graviton tentava erguer. Eles travaram uma batalha titânica, e de seus embates surgiram as primeiras fagulhas de luz e as sombras das trevas.

Durante essa guerra, as primeiras vitórias de Graviton permitiram que os Quarks se unissem para formar os Prótons e Nêutrons, enquanto os Leptões dançavam ao seu redor como espectros etéreos. Assim surgiram os primeiros Átomos, pequenos guerreiros de estabilidade que resistiam ao caos circundante. O mais primordial deles, o Hidrônio, tornou-se o precursor das estrelas.

Com o nascimento dos átomos, o universo se viu envolto em trevas, uma era que os antigos chamavam de "A Noite de Tálassa", onde reinava o frio e a obscuridade. Mas foi durante essa noite que os átomos se reuniram sob o olhar vigilante de Graviton, comprimindo-se em vastas nuvens de poeira e gás. E então, no coração dessas nuvens, a gravidade acendeu as primeiras estrelas, que os mortais chamariam de As Forjas Eternas.

As estrelas eram mais do que simples pontos de luz; eram os altares onde os elementos se formavam. Dentro de cada estrela, em fornalhas de calor e pressão incomensuráveis, os átomos colidiam e se fundiam, criando os blocos de construção do cosmos. O hélio, o carbono, o ferro e todos os elementos que dariam forma às terras, águas e vidas futuras emergiam dessas vastas forjas celestes.

Entropis, porém, não descansava. Sempre que uma estrela vivia seu ciclo e explodia em uma supernova, ele via oportunidade no caos. Mas de cada explosão nasciam novos elementos, e as cinzas dessas mortes geravam novos mundos. Foi assim que, do conflito eterno entre Graviton e Entropis, o cosmos encontrou um estranho equilíbrio.

Ao longo de eras incontáveis, formaram-se galáxias, sistemas solares e mundos, cada qual carregando as marcas da batalha primordial. E em um canto remoto do universo, em um pequeno planeta azul, elementos químicos e forças naturais se uniram para dar origem à vida. Dizem que foi ali que o conflito entre ordem e caos encontrou sua expressão mais complexa: seres conscientes que olhariam para o céu e se perguntariam sobre suas origens, criando mitos para compreender as estrelas.

E assim, o ciclo do universo continua: uma dança infinita entre ordem e desordem, entre luz e escuridão, onde cada estrela que nasce e cada galáxia que se forma carrega em si os ecos da Era de Planck Quantum e as marcas dos titânicos embates que moldaram o cosmos.

O Abismo da Comunicação: Uma Fábula da Cosmogonia Científica

Um ente denominado Evolução, por meio da Genética, dotou o ser humano de mente, memória e consciência, ferramentas poderosas que, isoladamente, já o colocavam em posição de destaque no reino animal. No entanto, a capacidade de aprendizado revelou-se insuficiente para perpetuar suas conquistas: como transmitir a experiência vivida, as lições aprendidas e as histórias que moldavam sua identidade?

No alvorecer dos tempos, quando o Homo sapiens tomou consciência de si mesmo, uma nova era se iniciou. Pela intervenção da entidade mitológica chamada de Genética, o homem foi dotado de mente, memória e consciência, e assim o homem ascendeu ao patamar de “saber que sabe” recebendo o título de Homo sapiens sapiens. Esse presente, porém, carregava um desafio: o conhecimento ficara limitado pela curta duração da vida humana estando retido apenas em um único indivíduo. Era necessário transmiti-lo aos outros e às gerações futuras.

Foi então que o homem se deparou com o Abismo da Comunicação.

O Abismo era vasto e insondável, separando as consciências humanas umas das outras. Cada mente era uma ilha, isolada em um oceano de silêncio. Era impossível compartilhar ideias, sonhos ou medos. Mas o homem, movido pelo desejo de conexão, lançou-se à tarefa de tecer pontes para atravessar esse vazio.

O Surgimento das Entidades da Linguagem

Na dureza das encostas íngremes e inexploradas do abismo da comunicação, o homem encontrou as primeiras centelhas da Linguagem. Elas não eram formas definidas, mas fragmentos primordiais: gestos rudimentares, sons instintivos, expressões faciais carregadas de emoção. Com paciência e persistência, o homem começou a moldar essas centelhas em ferramentas mais sofisticadas. Assim, gestos, sons e imagens começaram a se unir para formar os primeiros rudimentos de linguagem. Não foi algo instantâneo, mas sim um longo processo de tentativa e erro. Dando origem as criaturas mitológicas: Fala e Língua.

Fala, a primeira das criações, era efêmera e fluida. Seu corpo era feito de som, capaz de se dissipar no vento, mas também poderoso o suficiente para carregar ideias e emoções de uma consciência a outra.

Língua, por sua vez, era uma criatura mutante. Suas formas eram instáveis, mudando com o tempo e a distância. Em cada região e época, ela assumia um rosto diferente, mas sempre mantendo seu propósito: ser a estrutura pela qual a Fala se organizava.

Juntas, essas entidades ajudaram o homem a atravessar o Abismo da Comunicação. Mas, como toda criação, elas tinham uma natureza indomável. A Língua, com seu corpo mutante, evoluía de maneira desordenada, fragmentando-se em múltiplas formas. Embora suas funções principais fossem preservadas, a multiplicidade das línguas separava os povos tanto quanto os unia.

A Teia das Linguagens

Para enfrentar o caos linguístico, os homens iniciaram um novo esforço. Era necessário dominar a Língua e suas mutações, criando regras que organizassem seu comportamento. Assim surgiu a Teia das Linguagens, um sistema de convenções que conectava as palavras, os sons e os gestos, tornando a comunicação mais clara e eficiente.

Essa teia era frágil e exigia constante manutenção. Os povos humanos, espalhados pelo tempo e espaço, se dedicavam à tarefa de remendar e expandir a Teia, adaptando-a às necessidades de cada época e cultura. Era uma obra coletiva, sem fim, mas essencial para o progresso. Linguagem, Língua e Fala emerge como uma compreensão essencial sendo pois:

Linguagem: A capacidade humana de criar e organizar significados, abrangendo tanto aspectos biológicos quanto culturais.

Língua: Um sistema socialmente construído, consagrado pela comunidade como meio de expressão e comunicação.

Fala: A realização individual desse sistema, moldada pela inteligência e criatividade humanas.

No decorrer desse processo de aprimoramento da teia linguagens, que levou o homem a vencer o abismo da comunicação, algumas etapas se seguiram: 

Etapas desse desenvolvimento:

Comunicação instintiva: Expressões faciais, gestos e sons emocionais (gritos de alarme, risadas, ou choro). Essas formas iniciais refletiam emoções básicas e respostas instintivas.

Símbolos compartilhados: Com o tempo, certos sons e gestos passaram a simbolizar ideias mais complexas, como “perigo” ou “comida”.

Surgimento da gramática: Um salto colossal ocorreu quando os símbolos começaram a ser organizados em padrões regulares, permitindo transmitir sequências lógicas e narrativas. 

A Comunicação como Ferramenta Evolutiva

Na busca pelo conhecimento e com o domínio dos fios que tecem a trama da linguagem, o tão temido desfiladeiro da Comunicação passou a ser preenchido pelo tecido da linguagem transformando o homem em um ser interconectado, permitindo que ideias transcendessem o tempo e o espaço podendo promover eventos como:

Transmissão cultural: Ideias e técnicas começaram a ser ensinadas e aprimoradas ao longo de gerações.

Cooperação social: Grupos humanos puderam se organizar para enfrentar desafios maiores do que qualquer indivíduo poderia superar sozinho.

Criação de mitologias: Histórias e conceitos abstratos (como deuses, espíritos ou mesmo "a cosmogonia científica") nasceram para explicar o mundo e unir comunidades.

O Nascimento da Escrita

Apesar das conquistas alcançadas pela Fala e pela Língua, o homem logo percebeu que havia outro desafio a ser enfrentado. As palavras faladas eram fugazes, desaparecendo tão rapidamente quanto eram pronunciadas. O conhecimento acumulado corria o risco de se perder para sempre. Foi então que, das profundezas da mente humana, surgiu uma nova entidade: Escrita. (Mas essa é uma história para outro capítulo da cosmogonia.)

Homo sapiens sapiens avança 

Como se tivesses avançando de fase em uma partida de vídeo game, o homem alcançou a habilidade de se comunicar e transmitir conhecimento. Mas o preço dessa conquista é a constante batalha para organizar e adaptar a linguagem às suas necessidades. A Fala e a Língua, embora domadas, permanecem entidades vivas e mutantes, moldadas pela mão humana, mas também influenciando a humanidade como um tecido de vários fios com várias camadas de significados.

O Abismo da Comunicação foi transposto, mas a jornada do Homo sapiens sapiens continua. A busca por conexão e entendimento é infinita, assim como a expansão de sua consciência e a jornada em busca do saber.

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